Sobre o portfólio

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  • Unity
  • Multiplayer
  • LiveOps
  • C#

Leonardo Lycan é Lead Game Developer e especialista em desenvolvimento de jogos Unity, arquitetura multiplayer, sistemas de gameplay, LiveOps e produção técnica. Este portfólio reúne projetos publicados, protótipos jogáveis, estudos de produto e artigos sobre engenharia de jogos, IA aplicada, Web3, onboarding e experiências digitais. O trabalho combina liderança de equipes, programação C#, integração de serviços, otimização de performance e comunicação clara entre design, arte e negócio. Para projetos, consultoria ou colaboração, Leonardo oferece uma abordagem prática: entender o problema, construir uma solução robusta e transformar requisitos complexos em experiências memoráveis para jogadores e produtos digitais com impacto mensurável hoje.

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Produto · 21 de agosto de 2026

Web3 sem bloquear o onboarding

Um modelo de onboarding progressivo para introduzir identidade, wallet e propriedade digital sem transformar infraestrutura na primeira tarefa do jogador.

Web3 sem bloquear o onboarding

Quando uma experiência Web3 começa pedindo que o jogador escolha uma rede, conecte uma carteira ou assine algo que ainda não entende, a infraestrutura ocupa o lugar da proposta de valor. O problema não é apenas quantidade de passos: o produto pede confiança antes de entregar contexto.

Um onboarding melhor preserva a promessa principal do jogo. Primeiro o jogador entende a ação, percebe progresso e reconhece algo que vale manter. Identidade, wallet e propriedade digital entram de forma progressiva, no momento em que resolvem uma necessidade já visível.

A primeira tarefa precisa provar o jogo

O primeiro minuto deveria responder “por que continuar?”, não “como funciona a infraestrutura?”. Em um card battler, isso significa permitir que o jogador leia uma unidade, faça uma escolha e veja uma consequência antes de introduzir conta, marketplace ou assinatura.

Uma ordem prática é:

  1. ação: executar uma decisão central;
  2. resposta: entender o que mudou no tabuleiro;
  3. progresso: receber um objetivo ou recompensa legível;
  4. identidade: salvar aquilo que agora tem valor;
  5. propriedade: explicar quando um ativo pode sair do limite do jogo.

Essa sequência não esconde Web3. Ela dá significado a ele. “Crie uma conta para preservar este deck” é uma promessa concreta; “crie uma wallet para começar” transfere para o jogador uma decisão técnica sem contexto.

Separe jogar, identificar e possuir

Três camadas costumam aparecer misturadas em um único modal:

  • jogar: entrar no loop principal e aprender as regras;
  • identificar: manter progresso entre dispositivos e sessões;
  • possuir: vincular ativos a uma identidade capaz de assinar ou transferir.

Essas camadas podem compartilhar infraestrutura sem compartilhar o mesmo momento da experiência. Um jogador pode começar como convidado, transformar aquela sessão em uma conta durável e só então ativar recursos de propriedade. Cada transição precisa explicar o ganho e o custo.

A FAQ pública de DATA2073 na Epic oferece um contexto útil: uma wallet externa não é obrigatória para começar, a experiência usa Sequence com autenticação familiar e ainda existe uma diferença explícita entre jogar e interagir diretamente com blockchain. A documentação pública prova a intenção do produto; não descreve, por si só, cada detalhe interno de implementação.

Use autenticação familiar e provisione nos bastidores

Email, login social e guest mode reduzem o salto conceitual porque começam com padrões que o jogador já conhece. A visão geral de Embedded Wallet da Sequence descreve wallets integradas à própria experiência, enquanto a documentação de autenticação mostra que o login pode instanciar a wallet automaticamente.

Isso muda o papel da interface. Em vez de ensinar seed phrase, extensão e rede no primeiro contato, ela pode ensinar três coisas que importam para o produto:

  • como o progresso será recuperado;
  • quais ações exigem confirmação;
  • quando um item deixa de ser apenas estado do jogo e passa a ter propriedade digital.

Guest mode é especialmente útil para remover a barreira inicial, mas precisa de uma saída planejada. Antes de conceder um ativo valioso ou permitir uma operação irreversível, a sessão deve ser ligada a um método durável de autenticação. A própria documentação da Sequence recomenda essa conversão antes de entregar valor persistente ao convidado.

Faça o ponto de conversão merecer a interrupção

Todo pedido de conta interrompe o fluxo. A pergunta é se o jogador entende por que aquela interrupção existe.

Bons pontos de conversão surgem quando existe valor prestes a ser preservado:

  • depois da primeira vitória;
  • ao concluir um deck inicial;
  • antes de resgatar um item persistente;
  • ao ativar marketplace, transferência ou outro recurso opcional;
  • ao continuar em um segundo dispositivo.

O modal precisa mostrar consequência, não tecnologia. “Salve seu deck e continue em qualquer dispositivo” explica benefício. “Conecte uma wallet compatível” descreve mecanismo. O segundo texto pode aparecer como detalhe ou opção avançada, depois que a intenção estiver clara.

Também é importante manter uma rota de recusa. Se propriedade digital não é necessária para o core loop, “agora não” deveria preservar a jogabilidade e deixar claro o que continuará indisponível. Consentimento não é real quando o único caminho é aceitar um sistema que ainda não foi explicado.

Modele wallet e transação como estados do produto

Uma integração conectada não deveria depender de um spinner genérico. Login, provisionamento, vínculo, assinatura e confirmação são estados diferentes — com diferentes responsáveis e recuperações.

Um modelo mínimo pode distinguir:

  1. anônimo: nenhuma identidade durável;
  2. convidado: sessão jogável, ainda frágil;
  3. autenticado: conta recuperável confirmada;
  4. wallet provisionada: infraestrutura pronta nos bastidores;
  5. propriedade ativada: regras e consentimento apresentados;
  6. ação solicitada: jogador sabe o que vai acontecer;
  7. aguardando: assinatura, serviço ou confirmação em curso;
  8. confirmado: inventário e feedback refletem a mesma verdade;
  9. falha recuperável: cancelar, tentar novamente ou voltar ao jogo.

Essa máquina de estados evita que a interface invente sua própria verdade. Também permite registrar onde ocorreu a perda: na autenticação, no vínculo de uma wallet externa, na assinatura ou depois do envio. A documentação de account federation da Sequence é uma referência para tratar o vínculo posterior de identidades e wallets como uma transição explícita, não como requisito inicial.

Uma transação precisa explicar antes, durante e depois

Antes da ação, a interface deve responder:

  • qual item ou permissão está envolvido;
  • se existe custo, espera ou irreversibilidade;
  • qual conta receberá o resultado;
  • como cancelar sem perder progresso local.

Durante a espera, ela deve distinguir “aguardando sua confirmação” de “processando no serviço”. Depois, precisa reconciliar resultado e inventário: mostrar sucesso, atualizar o estado visível e oferecer uma forma de consultar o registro. Em falha, preservar a intenção e informar se repetir a ação é seguro.

O objetivo é retirar da infraestrutura o poder de parecer aleatória. Um jogador não precisa compreender todo o protocolo; precisa compreender o contrato daquela ação.

Meça o funil como uma sequência de decisões

Contar apenas contas criadas esconde onde o onboarding falha. Um funil útil registra eventos próximos à experiência:

  • tutorial iniciado e primeira decisão concluída;
  • primeira recompensa apresentada;
  • convite para salvar exibido, aceito ou adiado;
  • método de autenticação escolhido e concluído;
  • wallet provisionada;
  • propriedade digital explicada e ativada;
  • primeira ação conectada solicitada, cancelada, confirmada ou falha;
  • retorno posterior com progresso recuperado.

As métricas principais deveriam combinar ativação, conversão e recuperação. Uma taxa alta de criação de wallet não compensa abandonar o jogo antes de entender sua proposta. Da mesma forma, um guest flow excelente fica incompleto se jogadores perdem progresso por não perceberem quando precisavam vincular a sessão.

Aplicando o princípio ao DATA2073

DATA2073 tem um motivo forte para adiar a linguagem de infraestrutura: sua primeira promessa é tática. Grid, posição, facção e construção de deck já criam uma curva de aprendizagem própria. O onboarding pode preservar essa ordem:

  1. ensinar uma decisão de combate;
  2. revelar progressão e o valor de um novo card;
  3. oferecer uma identidade durável para salvar a coleção;
  4. explicar propriedade digital quando ela ampliar aquisição, coleção ou troca;
  5. manter wallet externa como opção de vínculo, não pedágio para a primeira partida.

Esse desenho é consistente com a experiência descrita publicamente pela Epic e com os padrões de embedded wallet documentados pela Sequence. A contribuição de produto está em transformar esses recursos em uma jornada legível: estados explícitos, recusas honestas, recuperação e feedback que continuam falando a linguagem do jogo.

Checklist de produção

Antes de publicar um fluxo Web3, vale revisar:

  • o jogador experimenta valor antes do pedido de conta;
  • guest, email e login social têm limites claros;
  • existe conversão para uma identidade recuperável antes de conceder valor persistente;
  • wallet externa é vinculável depois, quando fizer sentido;
  • custos, permissões e irreversibilidade aparecem antes da confirmação;
  • espera, cancelamento, falha e retry são estados distintos;
  • inventário e confirmação usam a mesma fonte de verdade;
  • é possível continuar jogando quando a camada opcional não está disponível;
  • analytics distinguem abandono, recusa e erro técnico;
  • suporte consegue identificar em qual transição a jornada parou.

Web3 deixa de bloquear o onboarding quando deixa de ser tratado como uma cerimônia de entrada. A infraestrutura continua importante, mas aparece como resposta a uma intenção que o jogador já entende: salvar, possuir, transferir ou continuar.

Uma vez que o onboarding está completo, o próximo desafio é garantir que os próprios ativos digitais pareçam nativos ao gameplay em vez de isolados dele. Você pode ler mais sobre como DATA2073 transforma a propriedade digital em uma parte fluida da construção de decks e do LiveOps em nosso artigo complementar: Integrando NFTs ao Core Loop do Jogo.

Referências públicas